Lula está inconformado com a péssima notícia que recebeu

O presidente Lula (PT) acompanha de forma direta os números que antecedem o ciclo das eleições presidenciais deste ano. Publicamente, o petista tem dito que será candidato à reeleição e que pretende disputar novamente o Palácio do Planalto como forma de impedir que a sucessão seja entregue a um nome da direita. A insistência tem sido apresentada como um ponto estratégico, mas também traça um ambiente de fragilidade interna no campo governista.

As declarações têm funcionado mais como uma tentativa de produzir efeitos políticos, de causa e consequência, do que como a consolidação de um projeto eleitoral sólido. Tem sido um ponto de esforço conter danos e minimizar os impactos negativos que cercam o lulopetismo neste momento do governo. O atos de fala, que têm sido sustentados por marqueteiros, passou a ser um relógio para ganhar tempo diante de um quadro que não se mostra nada favorável.

Um dos principais problemas enfrentados pelo PT é a inexistência de um plano alternativo para 2026. O partido não construiu, ao longo dos últimos anos, um nome capaz de assumir o protagonismo em eventual sucessão. E a lacuna não é casual. Lula manteve, mais uma vez, a postura histórica de não permitir o fortalecimento de lideranças internas que pudessem ultrapassá-lo como liderança central da esquerda brasileira. Ao longo de sua trajetória, o petista sempre atuou para preservar sua posição como liderança máxima, evitando a formação de concorrentes dentro do próprio campo político.

O momento de 2026, porém, se agrava ainda mais quando se observam os indicadores do governo Lula 3. O Planalto já tem conhecimento de que as avaliações da atual gestão não são positivas em nenhuma das principais áreas. Desde 2023, quando iniciou o mandato, não houve uma pasta que pudesse ser apresentada como vitrine eleitoral para um Lula 4. A desaprovação está elevada de ponta a ponta do país e distribuída de forma ampliada, o que limita a capacidade de reação do governo e reduz as margens de manobra para uma narrativa de recuperação.

O ambiente de desgaste já começa a respingar fora do campo político. Na Faria Lima, a leitura dominante é de que a reeleição de Lula se tornou improvável. O mercado financeiro não tem dado sinais de confiança em uma eventual continuidade do atual governo em Brasília, e essa percepção tem influenciado apostas, projeções e expectativas para o pós-2026.

E e aí que surge a notícia que deixou Lula visivelmente inconformado. O presidente foi informado, ao longo da última semana, da confirmação de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não será candidato à Presidência. Embora os indicativos já apontassem nessa direção, Lula ainda alimentava a expectativa de que o governador permanecesse no tabuleiro eleitoral por mais tempo. O impacto da decisão foi maior do que o esperado no núcleo petista.

A preocupação não está apenas na ausência de Tarcísio, mas no momento dessa saída. O entorno do presidente não contava com uma retirada tão precoce do governador paulista das listas de pré-candidatos. A avaliação interna é de que essa debanda altera completamente a dinâmica das pesquisas e tende a produzir efeitos negativos adicionais sobre os números de Lula.

Como mostrou o Conexão Política, dirigentes do PT e de outras siglas de esquerda já trabalham com o temor de que a saída de Tarcísio provoque um deslocamento imediato de intenções de voto em direção a Flávio Bolsonaro. A expectativa é de que o nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passe a registrar disparada ainda no segundo mês do primeiro trimestre do ano, redesenhando os cálculos eleitorais feitos até aqui.

Até então, a estratégia do campo governista considerava que Tarcísio e Flávio permaneceriam nas sondagens ao menos até abril ou maio, com possibilidade de avançar até junho. Isso dividiria os votos dos primeiros colocados e manteria Lula competitivo em um eixo fragmentado. Mas agora, com a saída antecipada de Tarcísio, essa lógica se rompeu.

A avaliação do entorno esquerdista é de que o apoio declarado do governador de São Paulo deve transferir uma parcela significativa de seu eleitorado para Flávio Bolsonaro. Estima-se que ao menos 60% a 70% dos votos que hoje seriam atribuídos a Tarcísio passem a se concentrar diretamente no nome do senador. Caso essa projeção se confirme, Lula pode ser ultrapassado nas principais pesquisas de opinião do país em um intervalo mais curto do que o previsto.

A péssima notícia para o núcleo de Lula, recebida ainda nos primeiros dias do ano, gerou desânimo e atrito no Planalto. Entre aliados próximos do presidente, os ares são de apreensão em relação às próximas rodadas de pesquisas, sobretudo as que devem ser divulgadas entre fevereiro e março. A leitura interna é de que os números, que já não são favoráveis, inevitavelmente sofrerão novos reveses, aprofundando a crise de expectativa em torno da candidatura de Lula.