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Boicote à China é agora agenda oficial do governo indiano

O primeiro passo do governo foi recusar o status de ‘economia de livre mercado’ à China

O primeiro passo do governo foi recusar o status de ‘economia de livre mercado’ à China

Nos últimos anos, sempre que há tensão na fronteira entre a Índia e a China, o apelo ao boicote a produtos chineses vem de cidadãos indianos preocupados. Além disso, durante a temporada de festivais, as mídias sociais são preenchidas por mensagens de indianos que incentivam a compra de produtos fabricados no próprio país.

No entanto, esses boicotes liderados por cidadãos nunca foram levadas a sério pelo governo indiano e o país continuou a negociar com a China. De fato, a participação da China no déficit comercial total da Índia aumentou na última década, exceto por alguns anos.

Mas, com o último confronto na fronteira em que 20 soldados indianos foram mortos, pela primeira vez, o governo de Modi está determinado a colocar a China fora do mercado indiano. E nesta semana, o Ministro de Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, disse à China que o conflito na fronteira prejudicaria as relações bilaterais entre os dois países.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, também alertou a China sobre sérias consequências. Depois disso, em uma videoconferência para o lançamento de 41 minas de carvão para mineração comercial nesta semana, Modi renovou novamente o chamado da Índia independente e explicou seu significado.

“A Índia transformará essa crise do Covid-19 em uma oportunidade. Ela ensinou a Índia a ser autossuficiente e a reduzir sua dependência de importações”, disse o primeiro-ministro indiano, sem nomear a China, que responde pela maior parte das importações indianas.

Movimento de boicote

Desta vez, o próprio governo indiano está liderando o movimento de boicote aos produtos chineses, ao contrário dos tempos anteriores, quando costumava ser liderado por cidadãos. O primeiro passo do governo foi recusar o status de ‘economia de livre mercado’ para a China, dando às autoridades indianas o poder de impor direitos antidumping sobre qualquer produto chinês. De acordo com as regras da OMC, os países membros não podem impor um direito antidumping de maneira discriminatória às economias de livre mercado, mas, para as economias que não são de ‘livre mercado’, isto é permitido.

A Direção Geral de Direitos Antidumping e Direitos Afins (DGTR), uma agência indiana governamental que tem a autoridade para fornecer mecanismo de defesa comercial abrangente e rápido na Índia, afirmou: “A Autoridade observa que nos últimos três anos, a China foi tratada como um país sem economia de livre mercado em investigações antidumping pela Índia e outros membros da OMC. Em vista do mesmo, a autoridade trata os produtores/exportadores do país em questão como economia de mercado não-livre no presente inquérito”.

A Índia não é o único país que não concedeu status de economia de livre mercado à China. A União Europeia e os Estados Unidos tratam o país da mesma maneira, uma vez que a maioria das empresas chinesas é controlada direta- ou indiretamente pelo Estado.

“Se 80% de suas empresas são controladas direta- ou indiretamente pelo Estado e os bancos são controlados pelo Partido Comunista Chinês, como a China pode alegar que seus parceiros comerciais devem dar a ela status de economia de livre mercado?”, disse Jayant Dasgupta, ex-embaixador indiano, à OMC.

O segundo passo do governo indiano foi desmantelar os projetos dados às empresas chinesas por entidades estatais indianas e bani-los de qualquer negócio futuro com a China.

A BSNL, empresa indiana estatal de telecomunicações, foi instruída a não usar equipamentos fabricados na China em sua atualização 4G.

“Toda a proposta será reformulada agora”, disse uma autoridade indiana.

O Departamento de Telecomunicações também está considerando informar empresas privadas como Airtel e Vodafone, que usam equipamentos fabricados por empresas chinesas, para reduzir sua dependência da China.

“Na situação atual, a segurança das redes construídas com equipamentos chineses estará sob escrutínio. Os padrões de propriedade da Huawei e da ZTE podem se tornar um ponto de discórdia nos planos de atualização de rede da Índia”, afirmou o funcionário do governo indiano.

Outro departamento que está se movimentando para expulsar as empresas chinesas é a Indian Railways. A China Railway Signal and Communication (CRSC) Corp., que recebeu o contrato para instalar a sinalização no Eastern Dedicated Freight Corridor (Corredor de Carga Oriental) em 2016 por 500 rúpias, foi avisada para sair dos negócios com a China à medida que seu contrato fosse revogado.

“Não poderei comentar sobre nossa decisão interna antes que ela seja formalizada oficialmente. Mas teríamos o maior prazer em envolver ‘players’(jogadores) e talentos indianos sempre que possível”, disse Anurag Sachan, diretor administrativo da Dedicated Freight Corridor Corporation da Índia Limited (DFCCIL), empresa do setor público administrada pelo Ministério das Ferrovias da Índia para realizar o planejamento, desenvolvimento e mobilização de recursos financeiros e construção, manutenção e operação dos corredores de carga do país.

O governo indiano também aderiu ao chamado do seu povo ao boicote de produtos chineses. Sem a intervenção ativa do governo, a chama não poderia ser mantida acesa, pois os cidadãos tendem a esquecer o boicote depois de alguns meses. Sem uma cutucada ativa do governo, o movimento de “boicote à China” não teria sucesso.

Analistas indianos observaram que o déficit comercial já diminuiu com a China nos últimos dois anos fiscais, após o pico de 63 bilhões de dólares no ano fiscal de 2017, graças ao aumento dos direitos de importação e à imposição de direitos antidumping pelo governo indiano.

De acordo com um relatório da Business Standard, o governo indiano já está considerando aumentar as restrições de importação de 371 itens – desde brinquedos e artigos de plástico a itens de esporte e móveis – no valor de US $ 127 bilhões e, a maioria desses itens é importada da China.

O jornal Global Times, porta-voz do Partido Comunista Chinês, já demonstrou estar “preocupado” com o apelo ao boicote aos produtos chineses. Nesta semana, o porta-voz do PCC publicou um artigo intitulado “Os indianos devem conter a voz de ‘boicote à China’ após o conflito na fronteira”.

“O espaço para cooperação econômica entre China e Índia é vasto. A cooperação econômica e comercial é de grande importância para o desenvolvimento econômico de ambos os países e para a superação de dificuldades”, argumentou a ferramenta de propaganda comunista.

Comentários

Cristã e Correspondente Internacional na Europa.

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