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EUA financiarão infraestrutura 5G brasileira sob uma condição: descartar a Huawei

O Brasil, um dos maiores mercados da gigante chinesa de telecomunicações Huawei, pode estar pronto para fechar seus contratos de 5G com as empresas de telecomunicações europeias, Ericsson e Nokia, enquanto os Estados Unidos estão conversando com o governo brasileiro, e propondo financiar a operação de infraestrutura 5G, sob a condição de que o Brasil deixe a Huawei fora das negociações.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, disse que descartar a Huawei das negociações é uma questão de “segurança nacional” para Washington e tem como objetivo “proteger dados e propriedade intelectual, além de informação confidenciais das nações”.

Huawei no Brasil
Isso representa uma grande perda para a gigante chinesa de telecomunicações, pois a empresa reforçou sua presença no mercado brasileiro nas últimas duas décadas, durante o período de governo de Lula e Dilma.

A Huawei conduziu testes 5G para as quatro principais empresas de telecomunicações,a Telefonica Brasil, TIM, Claro e Oi, e está ajudando estas empresas a modernizar sua infraestrutura, antes do leilão esperado do espectro 5G, que deve ocorrer em 2021. A empresa também prometeu instalar uma fábrica em São Paulo até 2022, com um investimento de 800 milhões de dólares.

O mercado brasileiro parecia um tiro certeiro para a Huawei, mas agora, com os EUA prontos para financiar os custos de infraestrutura se o governo brasileiro escolher por ‘players’ europeus ou outros não-chineses, o possível acordo com a Huawei “iria por água abaixo”. E isso significa uma enorme perda para a gigante chinesa das telecomunicações.

“Quem quer fazer investimentos em países onde suas informações não serão protegidas?” disse o embaixador dos EUA, Chapman à Folha.

O governo e a Anatel também estão avaliando propostas de empresas como a norte-americana Qualcomm, com planos para 2021/2022.

Financiamento
O financiamento seria por meio da International Development Finance Corporation, um banco de desenvolvimento criado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no final de 2018, que atua como um contraponto à iniciativa chinesa do Cinturão Econômico da Rota da Seda e ao Banco de Desenvolvimento da China, que oferece crédito para obras de infraestrutura em outros países.

O governo Trump pediu aos governos de todo o mundo, incluindo o Brasil, que evitassem a Huawei devido a preocupações com espionagem.

Reação global
As empresas de telecomunicações canadenses também fecharam as portas para as empresas chinesas. Duas operadoras de telecomunicações canadenses, a BCE Inc. (controladora da Bell) e a Telus Corp, decidiram agora usar equipamentos da Nokia e Ericsson para construir suas redes 5G de próxima geração no Canadá. Isso significa efetivamente que o Canadá deixou a China “a ver navios”, juntamente ao seu fornecedor de tecnologia 5G Huawei.

A Bell já usa a Huawei em sua rede 4G existente, no entanto, o envolvimento da empresa chinesa na implantação de 5G já foi descartado. A Telus chegou ao ponto de afirmar em fevereiro deste ano que faria parceria com a Huawei para implantar a tecnologia 5G no país. Com Bell e Telus rejeitando a Huawei, o Partido Comunista Chinês deve ficar enfurecido. Todas as três principais operadoras de telecomunicações do Canadá, Bell, Telus e Rogers, estão agora trabalhando com a Nokia e a Ericsson.

Os Estados Unidos estão usando o mesmo manual usado no Canadá e, portanto, a Huawei deve sofrer um segundo grande choque dentro de algumas semanas.

A reação global contra empresas chinesas, especialmente vendedores de equipamentos de telecomunicações que lideravam a corrida 5G global como Huawei, ZTE e Datang Telecom, levou ao ressurgimento de duas empresas europeias, a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia.

Atualmente, as nove empresas que vendem equipamentos 5G são Altiostar, Cisco Systems, Datang Telecom / Fiberhome, Ericsson, Huawei, Nokia, Qualcomm, Samsung e ZTE, das quais três empresas chinesas, Huawei, Datang e ZTE, lideram a corrida, por seus produtos serem mais baratos.

Mas a reação global contra a China e os relatos de espionagem do Exército de Libertação Popular através dessas empresas causaram danos maciços às empresas chinesas de 5G, especialmente a Huawei.

A reação contra a Huawei é proveniente dos governos, como no caso do Reino Unido, e também dos próprios operadores de telecomunicações, como no Canadá, onde duas das três principais empresas de telecomunicações anunciaram que não lidariam com a Huawei em sua distribuição 5G.

O governo dos Estados Unidos já aconselhou os países europeus a utilizarem produtos da Ericsson, Nokia e Samsung, em vez da Huawei. A Polônia assinou um acordo de cooperação com os EUA para a nova tecnologia 5G, afirmando que a segurança e a cooperação com os EUA serão um aspecto central.

O Vietnã, por questões geopolíticas, também contornou a chinesa Huawei e desenvolveu uma tecnologia própria para o 5G.

 

Comentários

Correspondente internacional na Europa.

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