Investigado no caso Master joga mala de dinheiro pela janela ao ver a PF chegar
Investigado no caso Master joga mala de dinheiro pela janela ao ver a PF chegar

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Balneário Camboriú (SC) na quarta-feira (11), um dos investigados por possíveis irregularidades relacionadas à Rioprevidência e ao liquidado Banco Master lançou uma mala com dinheiro pela janela. A ação faz parte da terceira fase da operação Barco de Papel, realizada pela Polícia Federal.

Essa ação é um desdobramento da operação Compliance Zero, iniciada no final do ano passado, que revelou indícios de delitos financeiros associados ao banco. A investigação constatou que o Banco Master havia negociado carteiras de crédito supostamente fraudulentas com o Banco de Brasília (BRB), totalizando R$ 12,2 bilhões. Além disso, foi identificado que diversos institutos de previdência de estados e municípios investiram recursos em títulos de altíssimo risco do Master.

Dinheiro apreendido e veículos de luxo

Conforme comunicado da Polícia Federal, ao chegarem ao local, os agentes encontraram um dos indivíduos do apartamento atirando uma mala de dinheiro, em espécie, pela janela. Além da quantia recuperada, a operação resultou na apreensão de dois veículos de luxo e dois smartphones. O valor total do dinheiro não foi informado.

Além das buscas em Balneário Camboriú, a Polícia Federal também cumpriu mandados em Itapema, Santa Catarina. Não foi esclarecida a relação entre a Rioprevidência, que é o instituto de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro, e o estado de Santa Catarina.

As investigações indicam que a Rioprevidência teria investido R$ 970 milhões em títulos não garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), gerenciando os recursos de cerca de 235 mil beneficiários.

Na semana anterior, o presidente da entidade, Deivis Marcon Antunes, foi detido na segunda fase da operação por suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos e corrupção relacionados ao dinheiro destinado a aposentadorias e pensões. Em declarações da Polícia Federal, pelo menos nove aplicações feitas entre 2023 e 2024 comprometeram os fundos das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. Deivis havia renunciado ao cargo em 23 de janeiro, após uma operação da Polícia Federal que visou a cúpula da instituição no contexto das investigações sobre a venda de carteiras de crédito sem lastro do Master ao BRB, no ano anterior, por R$ 12,2 bilhões.

Como resposta à primeira fase da Operação Barco de Papel, a Rioprevidência manifestou que “está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos recursos previdenciários”.

A Rioprevidência também destacou que está protegida por uma decisão judicial de dezembro de 2025 que impôs a retenção de aproximadamente R$ 970 milhões, com acréscimos de juros e correção monetária, correspondentes aos valores aplicados pela autarquia. Essa medida visa salvaguardar o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio, conforme informações divulgadas.

Os investimentos no Banco Master já estavam sob análise do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) há mais de um ano. Em outubro de 2025, o TCE-RJ proibiu a Rioprevidência de realizar novos investimentos em títulos geridos pelo banco, alertando sobre a possível gestão irresponsável dos recursos.