O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado nesta terça-feira (17) para relatar o mandado de segurança que decide o futuro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O pedido foi apresentado pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), e pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), após a ausência de resposta do presidente do Congresso Nacional ao requerimento de extensão do prazo.
Os trabalhos da comissão estão previstos para encerrar no dia 28 deste mês. Viana protocolou o mandado de segurança na sexta-feira (13) para obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a ler o requerimento de prorrogação em sessão do Congresso. “A Mesa Diretora e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, não querem adotar as providências necessárias para a prorrogação da CPMI do INSS, desde a não determinação de recebimento do requerimento até a não promoção da leitura do referido pedido de extensão de prazo na sessão do Senado Federal ou do Congresso Nacional”, argumentou a comissão no pedido ao STF.

Em publicação nas redes sociais, Viana disse ver “com muito bons olhos e com ânimo” a escolha de Mendonça como relator. “Trata-se de um tema de elevada relevância institucional. Não estamos diante de uma questão política menor, mas de um direito constitucional do Parlamento, que precisa ser respeitado para que possamos cumprir, até o fim, o dever de investigar”, escreveu o senador. Ele emendou que recorreu ao STF após não obter retorno sobre o pedido de prorrogação. “Diante da gravidade dos fatos que estamos apurando, não seria aceitável permitir que o silêncio paralisasse os trabalhos desta Comissão.”
Na véspera, o próprio ministro havia proibido a CPMI de ter acesso a novos dados obtidos com a quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os dados, armazenados em sala-cofre no Senado, deverão ser devolvidos à Polícia Federal. A medida foi tomada após Mendonça determinar a abertura de inquérito para investigar o vazamento de conversas privadas entre Vorcaro e sua ex-namorada. Mendonça também é relator do inquérito que apura as fraudes envolvendo o Banco Master no STF.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA CPMI investiga um dos maiores esquemas de desvio de recursos previdenciários da história do país. O prejuízo estimado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) é de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, período que abrange os governos Bolsonaro e Lula. O esquema funcionava por meio de sindicatos e associações que firmavam Acordos de Cooperação Técnica com o INSS e descontavam mensalidades diretamente dos benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização. Em muitos casos, o processo se dava com documentação falsificada.
Dados da comissão indicam que mais de 1,6 milhão de aposentados sofreram descontos indevidos, e 5,4 milhões de beneficiários contestaram cobranças que não reconheciam, dos quais 97,8% afirmaram não ter autorizado as cobranças. Em uma nova frente, a CPMI passou a apurar empréstimos consignados fraudulentos oferecidos por bancos. Os alvos desta etapa incluem o Banco Master, com análise de operações entre 2015 e 2025, a Pay Brokers EFX e a Foliumed Brasil.
Em fevereiro deste ano, dois ex-funcionários do INSS em cargos de direção aderiram à delação premiada e mencionaram Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, com ligação no esquema. A CPMI aprovou, em sessão tumultuada, a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís. O balanço parcial da comissão, até dezembro do ano passado, registrava 4.800 documentos analisados, 73 requerimentos de informação, 48 quebras de sigilo, 108 empresas suspeitas e mais de R$ 1,2 bilhão em movimentações incompatíveis identificadas. A comissão enfrentou resistência sistemática de depoentes que se recusaram a depor amparados por habeas corpus. “Nós respeitamos uma decisão judicial, mas registramos o óbvio. É lamentável que uma investigação constitucional do Parlamento seja limitada repetidamente”, externou Viana.
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