
A concessão da chamada Rota da Celulose, apresentada nesta segunda-feira (2) em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, sinaliza um movimento mais amplo que começa a ganhar espaço no país: modelos rodoviários pensados para operar com tecnologia, flexibilidade contratual e resposta rápida ao aumento da demanda logística.
O projeto envolve seis rodovias estratégicas de Mato Grosso do Sul e nasce em um contexto de forte expansão industrial, impulsionado especialmente pelo setor de celulose e pelo agronegócio. A expectativa do governo estadual é que a nova concessão melhore o escoamento da produção, reduza riscos viários e fortaleça a competitividade regional, com reflexos diretos em cadeias produtivas que abastecem outros estados e o mercado externo.
Com contrato de 30 anos, a concessão prevê investimentos superiores a R$ 10 bilhões, sendo a maior parte destinada a obras e modernização da infraestrutura. A lógica do projeto foge do modelo engessado tradicional e aposta no acompanhamento contínuo do tráfego, permitindo ampliações de pistas, terceiras faixas e duplicações conforme o crescimento real da circulação de veículos.
Outro ponto central é a incorporação de tecnologia à operação. O sistema de pedágio eletrônico sem barreiras, conhecido como free flow, promete maior fluidez, redução de emissões e eliminação de gargalos comuns em praças físicas. O projeto também prevê monitoramento integral das rodovias, com centenas de câmeras, sensores de pista, atendimento médico de emergência, guinchos e comunicação constante com o usuário.
Nos primeiros 100 dias de concessão, a prioridade será a recuperação imediata da malha viária, com reparos emergenciais em centenas de quilômetros, reforço da sinalização, limpeza de drenagem e instalação de dispositivos de segurança. A estratégia busca reduzir riscos de acidentes desde o início da operação, enquanto as obras estruturais de maior porte avançam nos anos seguintes.
Para o governo estadual, a Rota da Celulose funciona como um corredor logístico capaz de conectar polos produtivos, centros industriais e áreas urbanas, em um Estado que se consolida como peça-chave no mapa do agronegócio brasileiro. A proposta também é tratada como um teste de um modelo regulatório mais flexível, que pode servir de referência para futuras concessões em outras regiões do país.