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Dias Toffoli anula todas as condenações da Lava Jato contra Alberto Youssef

Ministro cita ‘conluio’ entre Moro e procuradores; delação do doleiro permanece válida.

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O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta terça-feira (15) todos os atos processuais da Operação Lava Jato envolvendo o doleiro Alberto Youssef. A decisão atinge diretamente sentenças proferidas pelo então juiz federal Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil (PR), e considera que houve parcialidade no curso das investigações. O acordo de colaboração premiada firmado por Youssef, no entanto, foi mantido.

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A decisão de Toffoli atendeu a um pedido da defesa do doleiro apresentado em junho deste ano. No despacho, o ministro sustentou que houve atuação coordenada entre órgãos da Justiça para prejudicar o investigado. “A parcialidade do juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba extrapolou todos os limites”, escreveu. “O conluio entre Polícia Federal, Ministério Público Federal e o ex-juiz Sergio Moro permitia um jogo de cartas marcadas.”

Toffoli também citou elementos obtidos pela operação Spoofing, que revelou mensagens trocadas entre integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Segundo o ministro, os dados “exporam um complexo sistema de captura do Poder Judiciário e do Ministério Público para o desenvolvimento de projetos pessoais e políticos”.

A operação Spoofing foi deflagrada pela Polícia Federal em 2019 e investigou o ataque de hackers a celulares de autoridades da Lava Jato, entre elas Sergio Moro e procuradores da República.

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Alberto Youssef foi preso em março de 2014, na primeira fase da Lava Jato. Seu acordo de delação serviu como base para uma série de desdobramentos da operação, atingindo políticos e empresários, incluindo investigações contra integrantes do PT e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa do doleiro argumenta que Youssef foi alvo de grampo ilegal nas dependências da Polícia Federal, e que a vigilância comprometeu a “voluntariedade e espontaneidade” no momento da colaboração com as autoridades. Segundo os advogados, o monitoramento começou no dia da prisão e se estendeu até semanas depois, sendo encerrado apenas quando o próprio Youssef descobriu o equipamento.

A petição sustenta que o episódio fez parte de uma estratégia deliberada para constranger o doleiro e induzi-lo a assinar um acordo de colaboração, tendo como foco a produção de provas contra alvos previamente determinados.

Em reação à decisão, o senador Sergio Moro afirmou em publicação no X/Twitter que a medida “reflete a inversão de valores morais pela qual o Brasil passa, reforça a impunidade e abre portas para novos escândalos”.

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