O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu neste sábado (30) uma das piores notícias de seu mandato. A nova rodada de pesquisas da Gerp, divulgada com exclusividade pela revista Exame, mostra que o petista seria derrotado em praticamente todos os cenários testados para a eleição presidencial de 2026. O resultado caiu como uma bomba no núcleo do governo e é visto como potencial ponto de inflexão no projeto de reeleição.
O levantamento vem em meio ao agravamento da crise política e institucional. O Planalto enfrenta simultaneamente uma guerra comercial com os Estados Unidos, marcada pelo tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump; sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes; além do escândalo bilionário na Previdência, perda de apoio no Congresso, saída de integrantes do Centrão do alto escalão do governo e pressões da CPMI do INSS.
Para completar, veículos de imprensa internacionais passaram a retratar Lula como um líder isolado e dependente do Judiciário para governar. Publicações semanais em diferentes países afirmam que o Brasil vive sob um “regime de exceção”, marcado pela chamada “ditadura do STF”. A crise mina ainda mais a imagem externa do presidente, descrito em jornais estrangeiros como autoritário, ultrapassado e sem base popular sólida.
Economia em desgaste
Outro ponto que pesa contra o Planalto é a situação econômica. Apesar de indicadores divulgados pelo IBGE, alvo de críticas por suposta manipulação de dados, o poder de compra da população segue em queda. O dólar está acima de R$ 5,40, a inflação pressiona o custo de vida, os juros permanecem em alta e serviços básicos como energia elétrica estão mais caros. A carga tributária continua aumentando, na tentativa de fechar as contas públicas.
Choque com os números
A sondagem da Gerp era aguardada com expectativa pelo governo e pela oposição, por ser considerada um termômetro confiável do humor do eleitorado. O instituto passou a ter credibilidade em Brasília pela precisão nos recortes temáticos em eleições anteriores e é visto como um “relógio” político tanto por partidos de esquerda quanto por legendas de centro e de direita.
O resultado, porém, é devastador para Lula. Segundo a pesquisa, ele perde para Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Eduardo Bolsonaro, Ratinho Jr. e até Ciro Gomes — que não ultrapassou 10% em eleições anteriores. Contra Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Pablo Marçal, o petista aparece em empate técnico, mas sem vantagem consolidada.
Primeiro turno
No cenário estimulado do primeiro turno, Bolsonaro lidera com 38% das intenções de voto, contra 32% de Lula. Ciro Gomes aparece com 5%, Ratinho Jr. com 4%, Romeu Zema com 3% e Pablo Marçal com 3%. Ronaldo Caiado surge com 2%, enquanto 5% disseram não votar em nenhum e 8% não responderam. Eis os números de 1º turno:
Cenário de 1º turno
• Jair Bolsonaro – 38%
• Lula – 32%
• Ciro Gomes – 5%
• Ratinho Jr. – 4%
• Romeu Zema – 3%
• Pablo Marçal – 3%
• Ronaldo Caiado – 2%
• Nenhum – 5%
• Não sabe/Não respondeu – 8%
Segundo turno
Nos cenários de segundo turno, Lula é derrotado em praticamente todos os confrontos diretos.
• Bolsonaro 49% x 38% Lula
• Michelle Bolsonaro 48% x 37% Lula
• Tarcísio de Freitas 46% x 37% Lula
• Eduardo Bolsonaro 43% x 39% Lula
• Ciro Gomes 38% x 34% Lula
• Ratinho Jr. 40% x 36% Lula
• Romeu Zema 36% x 39% Lula
• Ronaldo Caiado 36% x 38% Lula
• Pablo Marçal 35% x 38% Lula
Em uma reedição da disputa de 2022, Jair Bolsonaro abriria 11 pontos de vantagem: 49% a 38%. Contra Michelle Bolsonaro, Lula também é superado fora da margem de erro, com 37% a 48%. Em um eventual confronto com Tarcísio de Freitas, a diferença se mantém expressiva: 46% a 37%.
Alckmin e a baixa transferência de votos
A pesquisa também simulou a candidatura do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no lugar de Lula. Os números variaram entre 14% e 15%, índice considerado muito baixo e que evidencia a dificuldade do governo em transferir votos para um sucessor. Segundo o levantamento, a saída de Lula da disputa não resulta em migração automática de votos para Alckmin, mas em redistribuição do eleitorado para outros candidatos.
Metodologia
O levantamento da Gerp foi realizado entre os dias 22 e 27 de agosto de 2025, por meio do sistema CATI (entrevista telefônica assistida por computador), com 2.000 eleitores em todo o país. A margem de erro é de 2,24 pontos percentuais, para mais ou para menos, com grau de confiança de 95,55%.