A Procuradoria-Geral da República (PGR) posicionou-se contra a anulação das condenações de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, no âmbito da Lava Jato. A PGR argumentou que a decisão do STF, que declarou a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro no caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não deveria se estender a Dirceu. A justificativa é que a suspeição de Moro seria uma questão “estritamente pessoal” aplicada ao julgamento de Lula e, portanto, não deveria ser aplicada a outros réus.
O decano do STF, ministro Gilmar Mendes, entretanto, acolheu o pedido da defesa de Dirceu e estendeu a decisão que favoreceu Lula, alegando que a atuação de Moro, quando juiz na 13ª Vara Federal de Curitiba, poderia ter sido influenciada por “motivação política e interesse pessoal” contra o Partido dos Trabalhadores (PT). Gilmar considerou que, assim como no caso de Lula, Dirceu teria sido privado de um julgamento “justo e imparcial” devido à falta de isenção de Moro.
O procurador-geral Paulo Gonet, em manifestação encaminhada ao STF, ressaltou que o pedido da defesa de Dirceu não atendia aos requisitos para ser considerado. Ele destacou que as situações de Lula e Dirceu apresentavam fundamentos e partes distintas, o que impediria a aplicação automática da decisão. “As partes e os fundamentos fáticos são visivelmente distintos”, afirmou Gonet, citando que, sem “adstringência estrita” entre os casos, o pedido de extensão seria “descabido”.
Com a decisão de Gilmar Mendes, as condenações de José Dirceu em duas ações penais, que incluíam sentenças de 23 anos e de 11 anos e 3 meses de prisão, foram anuladas. A decisão libera o ex-ministro da condição de “ficha suja” e possibilita a reversão de sua inelegibilidade, anulando também todas as decisões das instâncias superiores que confirmaram suas condenações.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA decisão monocrática de Gilmar Mendes declarou: “Ante o exposto, ante a situação particular do réu, defiro o pedido da defesa para determinar a extensão da ordem de habeas corpus [para duas ações penais] (…) anulando todos os atos processuais do ex-juiz federal Sergio Moro nesses processos e em procedimentos conexos, exclusivamente em relação ao ex-ministro José Dirceu.”