
Um vídeo que passou a circular nesta quinta-feira (22) revelou um encontro informal entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, o banqueiro André Esteves e o empresário Luiz Osvaldo Pastore, em um resort de luxo localizado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná. As imagens mostram a chegada dos convidados de helicóptero e a recepção feita pelo ministro em uma área reservada do complexo turístico.
O registro chamou atenção não apenas pelo ambiente exclusivo, mas também pelo histórico institucional entre alguns dos envolvidos. Em dezembro de 2018, Toffoli integrou o julgamento e deu o voto de minerva que resultou no arquivamento de um inquérito que citava André Esteves, fundador e principal executivo do BTG Pactual. À época, o banqueiro figurava em apurações relacionadas a investigações envolvendo políticos do MDB, que tramitavam na Justiça Federal de Brasília.
O arquivamento ocorreu por decisão tomada no Supremo, após o então relator do caso, ministro Marco Aurélio, conceder ordem de ofício para encerrar o inquérito em primeira instância. O entendimento foi acompanhado por Toffoli, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.
Em sentido contrário, manifestaram-se Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Cármen Lúcia. Na época, o placar de julgamento terminou em 5 a 4 pelo arquivamento. Luiz Fux declarou-se suspeito e não participou da votação.
A divulgação do vídeo reacendeu questionamentos sobre a relação entre integrantes do Judiciário e representantes do mercado financeiro em ambientes privados. O encontro, registrado de forma descontraída, contrasta com o papel institucional exercido anteriormente pelos envolvidos em processos sensíveis analisados pela Corte.