Foto: ABr
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O governador do Paraná, Ratinho Júnior, passou a ser citado nos bastidores como peça relevante em uma articulação política que envolve o comando nacional do PSD e o cenário eleitoral de 2026. A movimentação em discussão abriria espaço para que o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, integre a chapa do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), na condição de vice, em uma eventual tentativa de reeleição em São Paulo.

A informação foi inicialmente divulgada pela CNN e confirmada pelo Conexão Política junto a fontes com trânsito no Palácio dos Bandeirantes. Segundo essas fontes, as conversas ainda não se traduziram em decisão formal, mas já fazem parte do cálculo político de lideranças envolvidas nas negociações para o próximo ciclo eleitoral.

Publicamente, Kassab sustenta que o PSD pretende lançar um nome próprio à Presidência da República. Nos bastidores, contudo, a avaliação é mais pragmática. Integrantes do meio político veem o dirigente partidário concentrado em ampliar seu poder de negociação, mantendo alternativas abertas tanto no plano nacional quanto nas disputas estaduais. Nesse contexto, cresce a leitura de que o partido pode usar uma candidatura presidencial como instrumento de barganha, enquanto constrói alianças com grupos da direita.

Até o ano passado, a estratégia atribuída a Kassab envolvia a possibilidade de disputar o governo paulista, caso Tarcísio optasse por concorrer ao Palácio do Planalto. Com esse cenário ainda distante, o presidente do PSD teria passado a considerar outros caminhos para permanecer no centro das articulações políticas e administrativas em São Paulo.

A hipótese discutida nos bastidores prevê que o PSD sustente um nome na corrida presidencial até o período das convenções partidárias, em julho. A partir daí, poderia ser apresentada uma proposta de retirada dessa candidatura, eventualmente representada por nomes como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, como parte de um acordo político mais amplo. Em troca, Kassab buscaria espaço em uma chapa competitiva no maior colégio eleitoral do país.

A lógica dessa negociação passa pela avaliação de que uma candidatura alternativa dentro do campo da direita teria potencial de fragmentar votos, enfraquecendo alianças regionais e nacionais. Ao abrir mão desse protagonismo formal, o PSD manteria influência estratégica nas definições do bloco político e garantiria presença em um governo estadual com forte peso político.

Para aliados, a possibilidade de Kassab integrar a chapa paulista também dialoga com um projeto de longo prazo. Como vice, ele poderia assumir o comando do estado em um cenário futuro, caso Tarcísio dispute a Presidência em 2030, além de se posicionar de forma competitiva para pleitos seguintes.

Embora tratada como plausível por interlocutores do meio político, a articulação ainda depende de ajustes delicados. O PSD mantém acordos regionais consolidados em diversos estados, que precisariam ser preservados mesmo diante de uma eventual ausência de candidatura nacional. Ainda assim, a vaga de vice em São Paulo é vista como um ativo de alto valor, capaz de redefinir o peso do partido nas negociações de 2026.

O movimento revela como o PSD busca ampliar sua capacidade de influência no próximo ciclo eleitoral, mantendo múltiplas opções em aberto e utilizando suas possíveis candidaturas como elemento central nas conversas por espaços estratégicos de poder.