PIB do agronegócio em Minas Gerais bate recorde de R$ 205 bilhões em 2022
Foto: Leandro Souza/Flickr

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 consolidado como um dos principais motores do agronegócio brasileiro, após registrar avanços expressivos em produção, valor agregado e abertura de mercados. Impulsionado por uma safra recorde de soja e milho, que somou cerca de 28 milhões de toneladas, o estado apresentou crescimento robusto e ampliou sua relevância no cenário nacional, tanto pela escala produtiva quanto pelo fortalecimento de cadeias estratégicas.

O desempenho do setor refletiu diretamente no Valor Bruto da Produção agropecuária, que avançou aproximadamente 18% no período, além de resultados positivos no campo sanitário e logístico. A combinação entre produtividade, investimentos em infraestrutura e diversificação da base produtiva reforçou a competitividade do estado e atraiu novas indústrias ligadas ao processamento de grãos, fibras e proteínas.

Esse movimento foi sustentado por uma atuação integrada entre entidades representativas e o poder público, com destaque para a articulação entre Famasul, Senar/MS, CNA, Governo de Mato Grosso do Sul e órgãos federais. A coordenação institucional contribuiu para avanços estruturais que fortaleceram as cadeias produtivas e ampliaram a inserção do agro sul-mato-grossense em mercados externos.

Na safra 2024/25, soja e milho apresentaram crescimento expressivo, com aumento superior a 30% em relação ao ciclo anterior, garantindo ao estado posição de destaque no ranking nacional. O milho foi o principal vetor desse avanço, com recuperação significativa após a quebra registrada na temporada passada. A expansão das usinas de etanol de milho também teve papel central nesse processo. Em 2025, a produção do biocombustível alcançou cerca de 1,58 bilhão de litros, avanço próximo de 60%, ampliando a demanda por grãos e agregando valor à produção local.

Além das culturas tradicionais, outras cadeias ganharam força ao longo do ano. A citricultura avançou rapidamente, com áreas plantadas em expansão e projeções otimistas para os próximos ciclos. O amendoim manteve ritmo acelerado, com crescimento da área cultivada e aumento da produção. Já o setor de florestas plantadas seguiu em franca expansão, com a área de eucalipto ultrapassando 1,8 milhão de hectares, impulsionada pela perspectiva de novas plantas industriais nos municípios de Inocência e Bataguassu.

Foto: Saul Schramm/Governo de MS

O avanço produtivo veio acompanhado da intensificação de práticas sustentáveis. Sistemas integrados de produção, rotação de culturas, manejo conservacionista do solo e estratégias de mitigação climática passaram a ocupar espaço central no planejamento agrícola, alinhando o estado às exigências ambientais dos mercados internacionais.

Na pecuária, os resultados também foram positivos. O abate de bovinos registrou crescimento e superou a marca de 4 milhões de cabeças, enquanto a suinocultura alcançou cerca de 3,5 milhões de animais abatidos. A avicultura manteve estabilidade, com leve aumento no número de aves processadas. Esse desempenho contribuiu para que o Valor Bruto da Produção do agro estadual se aproximasse de R$ 84 bilhões, enquanto o PIB de Mato Grosso do Sul deve fechar o ano com crescimento acima da média nacional.

As exportações do agronegócio acompanharam esse ritmo. Entre janeiro e novembro, o faturamento externo do setor avançou cerca de 4%, alcançando US$ 9,2 bilhões. A celulose liderou as vendas, seguida pela soja em grãos e pela carne bovina, que apresentou forte crescimento e consolidou a presença do estado em mercados estratégicos.

No campo logístico, 2025 foi marcado por novos investimentos estruturantes. A retomada da concessão da BR-163/MS, agora sob gestão da Motiva, prevê investimentos bilionários em duplicações, faixas adicionais e obras de segurança ao longo dos próximos anos. Outro projeto relevante é a Rota da Celulose, que envolve centenas de quilômetros de rodovias e busca conectar áreas produtivas aos corredores de exportação. A perspectiva de leilão da Hidrovia do Rio Paraguai em 2026 também representa avanço importante para a redução dos custos logísticos.

A citricultura ganhou impulso adicional com políticas públicas específicas adotadas a partir de 2024 e aprofundadas em 2025. O estado estruturou um rigoroso sistema de controle fitossanitário para prevenir o greening, além de oferecer linhas de financiamento via FCO para implantação e manutenção de pomares, estimulando novos investimentos no setor.

Foto: Rafael Marques/Flickr

No aspecto sanitário, o ano foi marcado por um reconhecimento histórico. Em maio, o Brasil recebeu da Organização Mundial de Saúde Animal o status de área livre de febre aftosa sem vacinação. Mato Grosso do Sul teve participação relevante nesse processo, mantendo também elevados padrões em outras cadeias, como avicultura e suinocultura. Para Marcelo Bertoni, presidente da Famasul, o reconhecimento internacional fortalece a credibilidade da produção estadual e amplia o acesso a mercados mais exigentes.

Na área ambiental, a implementação do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais no Bioma Pantanal representou um avanço relevante. A iniciativa passou a remunerar produtores pela conservação da vegetação nativa além das exigências legais, conciliando produção e preservação. Paralelamente, a promulgação da Lei do Pantanal trouxe maior segurança jurídica e valorizou práticas sustentáveis já adotadas há décadas na região.

Com resultados expressivos em produção, exportações, sustentabilidade e infraestrutura, Mato Grosso do Sul encerra 2025 com o agronegócio fortalecido e bases consolidadas para ampliar sua participação no desenvolvimento econômico nacional nos próximos anos.