Foto: WHoP
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Portugal sedia neste domingo (18) uma eleição presidencial fora do padrão histórico. Fragmentada, indefinida e marcada pelo crescimento de candidaturas à direita, a corrida ao Palácio de Belém aponta para um raro segundo turno, que deve ser o primeiro em 40 anos, num ciclo em que ninguém pode prever com exatidão quem estará entre os finalistas.

A última vez que os portugueses precisaram de duas voltas para escolher o presidente foi em 1986. À época, o país já sabia que Diogo Freitas do Amaral estaria no segundo turno; hoje, esse grau de certeza simplesmente não existe. A disputa segue aberta, e os três principais candidatos aparecem embolados nas pesquisas.

De um lado, André Ventura, líder do partido Chega, vem protagonizando a reta final da campanha com forte discurso à direita. Do outro, António José Seguro, ex-secretário-geral do Partido Socialista, busca resgatar o espaço da centro-esquerda. Correndo por fora, João Cotrim Figueiredo, do Iniciativa Liberal, atrai eleitores liberais ligados com pontos de economia e gestão pública.

Três nomes no páreo e muitos indecisos

Segundo levantamento da Universidade Católica divulgado no último dia 13, Ventura tinha 24%, Seguro aparecia com 23% e Cotrim Figueiredo, com 19%. Já Luís Marques Mendes (PSD) e o independente Henrique Gouveia e Melo pontuavam com 14% cada, mas dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2,2 pontos percentuais. A sondagem ouviu 1.770 eleitores entre 6 e 9 de janeiro e revelou ainda que 15% seguem indecisos.

Com o voto facultativo e 11 candidatos, o clima de incerteza tomou conta da eleição. Além dos principais nomes, estão na disputa nomes da esquerda como Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António Filipe (PCP) e Jorge Pinto (Livre), além de três independentes: André Pestana, Humberto Correia e Manuel João Vieira.

Efeito pós-legislativas e peso dos partidos

Parte da dificuldade em prever os rumos da eleição tem relação com o calendário político. A campanha presidencial acontece poucos meses após as eleições legislativas e autárquicas, o que ampliou o envolvimento direto dos partidos no processo. Segundo o jornalista e analista político António José Teixeira, da RTP, isso fez com que o pleito ganhasse contornos de uma segunda volta das legislativas.

A falta de um nome com trajetória histórica , como nas eleições anteriores, também contribui para a indefinição. Desde a redemocratização, Portugal contou com presidenciáveis de peso e institucional, o que não se repetiu neste ciclo.

Apesar da simbologia do cargo, o presidente português atua como chefe de Estado, enquanto o comando do governo está nas mãos do primeiro-ministro.