
O presidente da França, Emmanuel Macron,
afirmou nesta terça-feira (20) que o momento internacional caminha para uma “transição para um mundo sem regras, onde o direito internacional é desrespeitado e onde a única lei que parece prevalecer é a do país forte”. A declaração foi feita durante discurso no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça.
Macron utilizava óculos escuros por conta de uma lesão ocular e abordou a crescente instabilidade diplomática entre os Estados Unidos e aliados europeus, em especial no contexto da Groenlândia. Ele afirmou que a presença militar francesa na região não tem caráter provocativo, mas representa um gesto de apoio à Dinamarca. “Apoiar um aliado em outro país europeu”, disse o francês, ao justificar a participação em manobras conjuntas no território dinamarquês.
A França está entre os países europeus que enviaram tropas à Groenlândia após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende estabelecer controle direto sobre a região. Em retaliação, Trump comunicou a aplicação de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos provenientes de oito países, incluindo a França.
Macron criticou a decisão. “Não faz sentido algum ameaçar aliados com tarifas. O aumento dessas ações é incompatível com relações entre parceiros”, afirmou durante sua fala em Davos.
Horas após o pronunciamento, Trump publicou na plataforma Truth Social o registro de uma conversa privada entre ele e Macron. Na troca de mensagens, o presidente francês se diz confuso quanto à postura adotada por Washington sobre a Groenlândia. “Estamos totalmente alinhados em relação à Síria. Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã. Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia. Vamos tentar construir grandes coisas”, escreveu Macron.
Ainda na mensagem, o francês convida Trump para um jantar em Paris e propõe sediar um novo encontro do G7 com a participação de representantes da Ucrânia, Dinamarca, Síria e Rússia.